I Won’t See You Tonight (Avenged Sevenfold)

Avenged Sevenfold

Você não vê, não é? Essa neblina que criou nos próprios olhos… Gostaria de fazer o mesmo. De não ter, nos meus, a verdade tão clara. Nesse exato momento, é tão clara que cega-me os olhos. E nesse instante, estamos na mesma página. No mesmo teatro bidimensional que sempre fez tanto sentido em sua mente. A forma racional que sempre idealizei, que sempre fez parte de mim, que sempre liderou suas ações. Naquela fração de segundo, tudo fez sentido.
O momento passou, e não mais te entendo. Expiro pesadamente, a fumaça agora saindo por minhas narinas, que ardem com o calor não mais familiar. Não mais… Nunca mais.
Gostava de ter aquela desculpa, sabe; de estar cega. Como esperado, deu aos meus outros sentidos uma incrível vantagem. Meu paladar detecta traços leves de remorso em meu vinho nunca antes notados. Meu tato sente toques que não aconteceram. Meu olfato… Este sente teu cheiro na fumaça dos cigarros. Minha audição ouve tudo o que sempre quis ouvir no teu silêncio.

O que você sente? Você sente, ao menos? Há espaço para tanto?
Eu espero que não. Pois, sabe… Lido melhor com a rejeição do que com a remota possibilidade de estarmos vivendo dessa forma quando não há motivos razoáveis para tanto. Eu estou aqui. Fisicamente, sempre estarei. Mas minha mente… Perdeu-se naquele momento de cegueira. E não a vejo retornando…


No more breath inside…
Essence left my heart tonight.

http://letras.ms/fmP

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Hurricane (30 Seconds to Mars)

(30 Seconds to Mars)

Dói soberanamente a tua lembrança. E tudo no mundo me lembra de ti. Como lidar com a melancolia crônica?
Nomenclatura proibida — Seu nome
— em mente. Ainda assim, sorrio. Pois da depressão em que me encontro principalmente por tua causa, só você pode me tirar.
E então me atinge o nojo. Do amor, do comum, do clichê. Da ausência de individualidade tão estranha ao meu sistema.
Melancolia! Tu dizes que me correspondes, por que há melancolia? Por que há dúvida? Por que há distância?
Inconstância… Há tempos, meu nome do meio. Não poderia deixar de ser. Não seria eu e nem você caso contrário.
Favor escolha entre mim e o que eu poderia ser. Ou acabarei confundindo ambos, o que fui veementemente treinada para não fazer.
Favor não me deixar nunca. Pois nunca senti-me tão viva, ou tão disposta a morrer.
Favor não assustar-se com a intensidade. Favor não fingir reciprocidade. Favor, favor mesmo, abraçar-me apesar de tudo.

Então são estes os riscos que temia. Mais uma vez, teve razão. Mais uma vez, a razão nada mudou. Pois sou o contrário dela… Os opostos se atraem; Mas não combinam.

http://letras.ms/6whp

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Vacant (Dream Theater)

(Dream Theater)

Aquele sentimento vago de que o efêmero foi eterno em sua época. A nostalgia incompleta que termina seu ciclo contra todas as leis da filosofia. Termina, e nada resta. Apenas a lembrança desacompanhada de sentimento. Solitária. Não creio que o vazio possa permanecer em foco eternamente, tampouco durar para sempre no plano de fundo. Pois o vazio é o que há de mais sólido em uma mente insana, e nesta nenhuma matéria perdura. O que agora parece não ter fim irá embora com o pôr do sol, garanto. Queria eu ter pensado nisso enquanto o tinha em meus braços, assim teria me dado conta de que era tudo efêmero e não estaria chorando sobre este livro, não é mesmo? Sim, estou lendo o livro que me recomendara. Falta-me o cachimbo, porém não me faltam cigarros. Voltei a eles, por que não? Você não está por perto para apagá-los.

Você não está por perto. (Está?)

(Então me dou conta de que…) Nunca esteve.

Este vazio que me abraça… (É você?)

Queria poder dizer que dói pensar em ti. Queria sentir algo que me lembrasse de nosso amor, nem que fosse o contrário do amor que sentíamos. Queria você. De novo. Queria. Não mais. Não hoje. A mentira repetida mil vezes torna-se verdade. Faltam apenas algumas centenas…

 

http://letras.ms/MIs

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A Dangerous Mind (Within Temptation)

Within Temptation

Me sinto vazia. Há aquela confusão, sabe? Sabe, eu sei que sabe. Angústia por não saber o que se passa dentro da própria mente. E não é que dói? E dói mesmo. Você sabe, não sou muito sensível à dor… Mas isso dói. Tira dos meus pulmões o ar e de meu coração a vontade de bater. Só não faz minha mente querer parar de pensar porque a mesma não consegue se encontrar… Me diga onde ela fica. Me ajude a achá-la, por favor! É como não saber de onde vem aquele barulho, sabe? … Aquele barulho de madrugada, que nos impediu de dormir aquela vez. De onde vem o maldito barulho?
Sabe, naquela noite… Sua respiração me acalmou. Ouvi-la ao meu lado. De onde vem sua respiração, meu bem? Eu gosto dela. Você não está aqui, porém continuo a ouví-la. Queria saber de onde ela vem, assim como o maldito barulho, e assim como a minha maldita mente! Mas dos três, a que mais gosto é a sua respiração. E depois, vem o barulho.
Queria que estivesse comigo para abafar o som de minha mente. Sua respiração já cuida do barulho… É mesmo um som? A minha mente… Sempre a vi de forma tão cinza. Sempre a senti de forma tão fria e sempre tão irregular. Seu gosto foi sempre tão amargo, com uma ponta doce no fim. E é por isso que te pergunto, onde diabos está minha mente? Eu sinto-a em todo o lugar, em todo o meu corpo, em tudo à minha volta. Só não sinto-a quando estou com você. Você entorpece essa onipresença maldita. Porque a todo o momento, sobre a confusão, sob a confusão e em meio a ela, lá está você. Como posso não sentir minha mente em você quando a você ela pertence? … Não entendo. E alguém pode desligar esse maldito barulho? Eu preciso dormir. Eu preciso ouvir sua respiração. O barulho tem se tornado mais alto ultimamente… Ou seria a sua respiração mais baixa? Não, prefiro crer no aumento do barulho. Respire sempre ao meu lado, está bem? E me perdoa por isso.

Largou a caneta e o papel, e dito o que deveria ser dito, não pensou duas vezes. Da sacada da janela, livrou-se de sua mente. Livrou-se de tudo. Pois a altura e a velocidade faziam-no presente… E sua presença entorpecia a maldita onipresença. 

 

http://letras.ms/TZ8

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No Matter What (Papa Roach)

By Papa Roach

Foto por Fred Rhomberg

Não importa onde você está, por enquanto. Você está aqui comigo. Sinto a brisa fria e não sei se é um presságio. Não sei se é um bom ou um ruim. Pouco sei quando se trata de você, você sabe. Pouco sabe quando se trata de mim também, não é? Eu sei.

Queria apenas saber como está. Espero, sinceramente, que não esteja como eu estou. Pois na minha preocupação sobre seu estado, sinto-me aflita demais para colocar em palavras. Não quero que se aflija. Portanto não se aflija com o que eu quero.

Penso, então, nas poucas vezes que disse que te amo. Nas muitas em que o demonstrei. Das deveras várias vezes em que não viu e não ouviu isso, e sentiu-se inseguro como me sinto todos os dias.

És recíproco demais comigo, espelho. Tua frieza me assusta, um pouco. Essa compreensão sem limites às vezes parece-me cinismo. Não deixo-me cegar pela vaidade, sinto muito. Até porque, de bela, a imagem que vejo tem muito pouco.

Sinto falta, espelho, do meu amigo. Aquele melhor amigo de quem sempre te falo. Aquele que me entende sem imitar meus gestos ou expor tão cruelmente minhas falhas. O que não precisa de prata ou vidro para fazer-me ver o que todos veem ao olharem para mim, e mais.

Com ele vejo minha alma, sem acreditar que a mesma exista. Com ele não há o amanhã ou o ontem, e nem ao menos o hoje. Não há tempo. Nossos risos o enganam. Enganam o tempo e a morte.

Será? Somos assim tão invencíveis?

Não faça-me duvidar do que é certo, espelho. Somos, sim. Não importa o que aconteça.


http://letras.ms/7DGy

 

FOTO POR FRED RHOMBERGOrkut@fredrhomberg

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Missing You (Franz Ferdinand)

– Onde estou? – Perguntou a moça, olhando à sua volta.
– Você não está. – Ouviu.
– Onde ele está? – Divagou ela, reconhecendo o sonho que já tivera tantas noites antes.
– Ele não virá.
Ela tinha pesadelos. Pesadelos variados, porém sempre pesadelos. Deixava os sonhos bons para quando estava acordada. Ou ao menos confortava-se com essa ideia.
Porém,
ele sempre estava lá. Antes, quando entendia menos das coisas, era ele o motivo de seu medo. Era ele o terror do pesadelo. Porém agora, sentia em si um vazio inexplicavelmente pior do que o medo. O vazio que temia mais do que qualquer outra coisa. Aquele que estava sempre à espreita, e que ela sentia vazar nas bordas. O que ela sabia que viria.
Ele se foi.
E de repente, o medo que ela uma vez sentira do rapaz tornou-se arrependimento. Porque agora
não havia mais tempo a perder. Não havia mais tempo. Não havia mais nada.
O que fazer agora? Quem a tiraria da inconsciência? Haveria alguém além
dele para arrancá-la do torpor? Lembraria-se ela dele quando acordasse? Nada mais era extremo. O meio termo era como um coma. Ela estava em coma. Uma inconsciência extremamente branca, onde desenho nenhum perduraria.
– Fique tranquila. Foi só um sonho… – Sussurrou a voz sorridente enquanto tudo desfazia-se na chama fria.

http://letras.ms/VpG

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